Eva Gonzalès, entre Manet et Guérard
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C’est très méritoire de remettre sur le devant de la scène des femmes
peintres un peu oubliées, comme Eva Gonzalès (au Petit Palais jusqu’au 24
janvier). T...
Há 10 horas


11 comentários:
Estou agora a perceber a tua reacção ao Almoço do Trolha, do Júlio Pomar...
Queres que não esqueçamos que por trás do bucolismo dum campo de trigo há sempre um trabalhador agrícola explorado (neste caso é pela frente mesmo).
Gostei muito das cores, do ritmo conferido pelos montes de feno ao fundo, da luz matinal.
A mim, lembrou-me o "Angelus" do Millet.
Por várias razões, entre as quais, a origem da luz.
Mas, neste caso, um "Angelus" sem "Angelus"...
Se é que se pode dizer assim...
Aqui, neste trabalho do Pedro, não há nada de espiritual.
O homem não está recolhido em prece.
Está numa atitude recolhida pelo peso do fardo, do trabalho, da terra, da vida.
Aqui, não há nada de transcendente.
Há o visível, o insustentável peso.
A Cristina viu aqui uma luz matinal.
Eu vejo uma luz crepuscular de pôr do sol.
(Como a hora do Angelus pode ser às 6h da manhã, ao meio-dia e às 6h da tarde, gosto de pensar na cena do quadro do Millet, às 6h da tarde. Por associação, pelo mesmo tipo de luz, também pensei assim, no exercício do Pedro: o campo atrás do homem está trabalhado e o cansaço do homem, levam-me a pensar que será no fim de um dia de trabalho)
Na escola, ensinaram-nos que não é muito correcto marcar a linha do horizonte como o Pedro marcou neste trabalho.
E assim notei logo que vi o exercício.
No entanto, neste caso específico, depois de ver mais atentamente, sinto que faz todo o sentido aqui.
Fica a impressão de que o homem carrega o peso do campo aos seus ombros e o traz consigo como um manto.
Posso estar errada nesta minha apreciação. Mas estou aqui para aprender.
O que é que vocês acham?
Quanto à cor... já sabes que gosto muito. Como sempre :O)
O trabalho executado pelo agricultor não foi feito num só dia, façamos-lhe essa justiça. De facto, a projecção das sombras indica que o sol está inclinado; eu acho que se trata do amanhecer porque a luz parece-me demasiado branca e crua para o pôr do sol. O homem não me parece cansado de um dia de trabalho, antes apresenta a postura curvada tão característica da vida do campo pois reflecte uma luta diária, sem férias e uma enorme dependência de factores incontroláveis, de que o estado do tempo é apenas um exemplo.
Tem graça lembrares Millet, embora me pareça ter ainda mais referências a um outro quadro dele, Les Glaneuses (talvez pela cor, será?).
Explica lá melhor a incorrecção da linha do horizonte, porque devo ter faltado a essa aula.
foi efectivamente inspirado no angelus e a luz tentei que fosse ao entardecer. como podem ver no themumblingbrush, ao contrário do neo-realismo, a história é precisamente a contrária, ou seja, o tipo é um agricultor que para já decidiu enveredar pelos ogm, e a sua visita ao campo é só mesmo ao fim do dia, qdo vem do escritório, para sacar uns raminhos de coentros para a sopa. Enfim, tentei mas deu o resultado (interpretação) contrário de ambas.
quanto á linha de horizonte: eu reparei nisso qdo me vi a braços com a definição de volume do ombro esquerdo, mas era tarde, e os pastéis não perdoam enganos, menos que as aguarelas, mas tb não perdoam.
Cristina,
Les Glaneuses? Sim, também poderia ser :o)
Quanto à linha do horizonte, o Pedro acabou por explicar melhor que eu.
Pedro,
Ah bom!
Não tinha percebido que o senhor levava debaixo do braço uns raminhos de coentros.
Sim, agora faz todo o sentido :O)
Expliquem lá melhor, como se eu tivesse 8 anos porque continuo sem perceber a linha do horizonte e a dificuldade no ombro esquerdo...
A linha do horizonte "corta" a cabeça do senhor que leva uns raminhos de coentros.
Digamos que a linha do horizonte poderia subir ou descer um pouco, para não passar pelo pescoçinho :O)
Mas, como disse no comentário anterior, «neste caso específico, depois de ver mais atentamente, sinto que faz todo o sentido aqui.
Fica a impressão de que o homem carrega o peso do campo aos seus ombros e o traz consigo como um manto.
Posso estar errada nesta minha apreciação. Mas estou aqui para aprender.
O que é que vocês acham?»
Repito que posso estar errada e, por isso, gostaria de saber o que pensam.
Por exemplo, em "Le Repos", de 1870, do Monet -
- o limite superior do sofá não "separa" o corpo em duas partes (cabeça e tronco);
- o limite inferior do sofá não coincide com o limite do vestido;
- o limite inferior do quadro na parede acaba ligeiramente mais abaixo da cabeça da senhora.
Pedro, talvez possas explicar muito melhor que eu.
(a fotografia do quadro está tão mazinha quanto a minha explicação, desculpem)
Agora sim, percebi. A questão é que estavas a falar de linhas tangenciais e eu achei que estavas a falar de linhas de horizonte.
As regras existem e devem estar presentes para termos consciência de quando as estamos a infringir. Não acho que a sua aplicação faça sentido aqui e não me parece que tenha influência na definição dos ombros. O corte confere-lhe uma intenção - mesmo que tenha sido inconsciente - que dá força à composição. A interpretação do manto, de canga, corda ao pescoço, de fio da navalha, vai muito bem com a vida de um agricultor.
Independentemente da intenção conceptual e passando à composição, o Alex Katz, por exemplo, usa muito as linhas tangenciais.
Quanto à luz, continuo a achar que é demasiado branca para ser de final de dia, sorry.
A propósito do trabalho do Pedro, mencionei a linha do horizonte, Cristina, sim.
Achaste bem.
Quanto à intenção, só o Pedro poderá falar.
Refiro-me ao resultado final e como eu o vi.
Gostei desse corte que me fez ver um manto, um arrastamento e um peso aos ombros do homem.
No entanto, continuo sem ter a certeza se neste caso específico, resultaria melhor descer ou subir a linha do horizonte (essa é a minha dúvida).
Quanto às regras...
Quando referi, no meu 1º comentário, que nos ensinaram «que não é muito correcto marcar a linha do horizonte como o Pedro marcou neste trabalho», tratava-se de um problema semelhante num exercício sobre o qual o professor chamou a atenção nesse caso específico. Depois de seguido o conselho, o resultado final melhorou bastante.
Só isso.
Mas ninguém mencionou regras académicas.
O Alex Katz usa muito as linhas tangenciais, sim.
a localização da linha de horizonte surgiu por acaso. mandei-vos por mail 2 ensaios em PShop com a linha abaixo e acima da original. vendo as 3 versões, acho que o acaso funcionou ... mas tb gosto da solução com a linha subida ...
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