quinta-feira, outubro 12, 2006

The Pillow Man

A Joana desafiou-me para ir ao Maria Matos ver esta peça. Abençoada rapariga. Não se pode perder esta peça. Pelo texto e as questões que levanta - o impacto que o trabalho artístico de alguém pode ter sobre o seu público e a responsabilidade moral do autor, a importância que pode ter a imortalização do artista através da sua obra, a capacidade de nos alienarmos dos dramas da nossa vida através duma história, o absurdo do totalitarismo, os diferentes níveis de leitura que podemos fazer de determinados factos consoante sabemos mais sobre os intervenientes e as suas razões; pela fantástica encenação; pelo desempenho dos actores.

Assim dito, parece muito intelectual, muito pesado mas é de uma humanidade tocante e consegue fugir ao maniqueísmo tentador de criar heróis e vilões.

Não gosto nada de elogiar muito porque depois as pessoas vão com expectativas muito altas e perdem de alguma forma a capacidade de serem surpreendidas, mas não consigo dizer menos que isto. A peça só está em cena até dia 15 deste mês. Toca a reservar bilhetes e depois comentem.

3 comentários:

Luísa R. disse...

A Paula Rego pintou o tríptico The Pillowman, baseado nessa peça.
http://www.tate.org.uk/britain/exhibitions/rego/pillowman.shtm

Gostaria de ir ver a peça, mas até dia 15, penso que não vou conseguir :(

Pedro Santos disse...

Mesmo ao cair do pano, os ultimos 3 bilhetes(!), hoje, segundo balcão, arquitectura não funcional na forma de uma barra de madeira no campo de visão na fila E... pego agora nalgumas das tuas linhas, cristina, a que não dei muita importância ... fazem tanto sentido. Ainda estou a digerir, dá pano para mangas em qualquer vertente psi-soc-cul-pol e/ou todas combinadas. Encenação prodigio ... até a animação, para me bajular ... é de quem? vou ver.
Sou capaz de passar a ter mais em conta os teus conselhos, pequena porquinha verde ;o)

Cristina E. Leal disse...

A pequena porquinha verde, mesmo quando pintada de cor-de-rosa, tem mais algumas coisas na cabeça além de bolotas, não é? Também achei uma experiência marcante a muitos níveis. E, tal como os contos de fadas, com vários níveis de leitura, nem todos evidentes.