terça-feira, novembro 14, 2006

Did you FIL anything?


carvão s/ papel, A5

Acabou agora a Arte Lisboa, na FIL. Gostava de ouvir opiniões acerca deste evento. Terá sido uma mostra do que de melhor se faz por cá hoje em dia, um comme ci, comme ça, ou terá sido um imenso deserto no panorama da arte contemporânea?

5 comentários:

pedro disse...

joana, este trabalho tb é dos idos tempos do PR? adorei este título! como me disse ontem uma amiga comum ;o) foi uma oportunidade de ver várias galerias sem andar de carro ... para além disso, como nunca fui à arco, apenas posso deixar-te o que ficou na minha desmemoriada cabecinha e no caderninho que me acompanhou: o meu preferido Bessmertny, que tinha 2 trabalhos na monumental (o violoncelo tava lindoooo); velickovic (na M Prates); santiago idanez que tem telas muito fortes e enormes; alfredo luz e alice geirinhas, porque para mim, a ilustração tb é pintura e arte; bert holvast na galeria arthobler, este foi o trabalho que mais me interessou. tb gostei do felix de cardenas,não me lembro onde. qto à tua pergunta, eu espero sinceramente que isto não seja uma mostra da arte contemporânea, ou seja, eu espero que a arte supere largamente esta mostra e muito mais qq feira ... no panorama nacional é o que há ... pode ser que cresça. Mas aconteceu-me uma coisa que posso partilhar e que talvez seja o corolário da minha visita: é que qdo vejo coisas muito boas, em galerias ou museus, dá-me uma vontade incontrolável de pintar ou desenhar; depois da feira, não me aconteceu nada disso ... eu estava cehiiinho de fome qdo saí, não sei se teve influência ... bjs

Cristina E. Leal disse...

Também fiquei fascinada com o violoncelo. O KB é fantástico na criação de ambientes, a contar histórias com uma mordacidade incomparável. Acho que tu, Pedro, tens uma linha idêntica, na forma como nos obrigas a olhar para todos os cantos da tela à espera de descobrir mais dados que nos permitam perceber a história. Porque cada quadro é uma história e disso não restam dúvidas, a questão é interpretá-la. Conheces a série das cartas de jogar? Tem também um quadro que se chama "Sex & violence" e o que tu vês é um homem sentado à mesa, a jantar. Só quando olhas mais em pormenor percebes que, numa ponta da mesa estão 2 moscas a copular e, na outra, o homem esmaga uma 3ª mosca.
A Arco é parecida, mas muito maior. Eu concordo com a tua amiga, gosto muito de ir e vou mais do que uma vez porque não consigo olhar para tudo ao mesmo tempo. Preciso de um período de reflexão entre cada visita.
Mas há uma coisa que me chateia nas galerias: é o espírito hermético que manifestam. Parece que estão ali só para os coleccionadores e dão ao resto da populaça a possibilidade de frequentar este meio uma vez por ano. Poucas galerias têm etiquetas com o título da obra, a técnica usada ou qualquer outro tipo de informação sobre os artistas que representam (a não ser uns catálogos enormes que compramos se quisermos). Ora eu penso assim - e corrijam-me se estou errada - não é em feiras que os coleccionadores compram; esses estudam primeiro os artistas, acompanham a sua evolução, enfim, estabelecem uma relação com a obra antes de comprarem. É óbvio que isso não é possível numa feira, pelo que o objectivo da mesma será cativar alguém que compra arte por impulso ou ganhar mais público. Então porque é que não explicam?
Apenas uma galeria, que eu tivesse reparado, preparou uma verdadeira apresentação das obras e dos seus autores: a artlounge, que colocou pequenos textos nas paredes, junto às obras e ainda incitava os visitantes a levarem um catálogo com estas informações.

ela anda a partir pedra e eu nas tintas disse...

Mas essa feira é mais para a montra das galerias ??? já fui em tempos e foi a ideia com que fiquei ...

Joana E Leal disse...

Acho que este tipo de acontecimentos são mais ou menos o que as pessoas querem que seja. Com isto quero dizer que é possível encarar a ArteLisboa como uma forma de conhecer várias galerias, da mesma maneira que é possível encará-la como uma forma de conhecer o trabalho de vários artistas. Pessoalmente, eu prefiro vê-la desta segunda forma.
Mais ainda, acho que é bom que mostras de arte desta dimensão se vão tornando habituais em Portugal. É uma espécie de mini ArCo mais perto... :)
Vê-se coisas boas e coisas más, mas não me desilude minimamente nem me desencoraja ver coisas más - pelo contrário, sinto que me ajuda a desenvolver sentido crítico e a perceber melhor alguns caminhos por onde se pode enveredar, algumas formas que a arte tem de evoluir.
By the way, também adorei o violoncelo!

Luísa R. disse...

Joaninha,
Grande título! :O)

Gostei, entre outros, dos trabalhos do Nuno Nunes-Ferreira, da japonesa Midori Harata, do Pedro Vaz, Martinho Costa, Baranyai Levente (um húngaro, lembram-se?), Vanessa Chrystie.
Sem falar do Pedro Calapez, Jorge Martins, Helena Almeida, Joana Vasconcelos, Paulo Brighenti, etc.

O outro lado:
É uma feira local.
A data coincide com a realização de feiras de arte internacionais com muito peso...
O que se passa de relevante na arte contemporânea a nível internacional não passa por aqui.
Tem a dimensão e a periferia do nosso país.

No entanto, como considero que alguns dos nossos artistas plásticos são muito bons, gostei.

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Quanto ao teu trabalho postado, já sabes que gosto muito! :O)