segunda-feira, novembro 13, 2006

Modas e Modos


acrílico s/tela, 60x80cm

E agora uma pergunta de nível 3, levantada pelo nosso amigo Gillo Dorfles no seu livro que tem o título deste post.
Pergunta ele: "Seguir uma moda (não apenas no vestuário, mas no costume, na arte, na filosofia, na ideologia política) equivale a ser-se conformista ou reaccionário? Opor-se à mesma pressupõe uma condição anti-conformista, progressista ou o contrário?"

5 comentários:

Sonia disse...

Acho a pergunta muito interessante e desde ontem que me anda a dar voltas na cabeça, infrutiferamente de resto, porque não consigo chegar a nenhuma conclusão digna desse nome. Suponho que não haverá uma resposta certa ou errada, eventualmente analisando ao longo da história pode-se perceber de que lado se estava e qual a diferença entre o que segue e o que inicia tomando a dianteira. Já agora o Gillo Dorfles dá resposta?

Cristina E. Leal disse...

A resposta obviamente nunca pode ser definitiva mas, sobretudo, o que ele acha é que só se pode correr o risco de tentar classificar alguém se essa pessoa tiver um comportamento padrão relativamente às modas. Ou seja, se o facto de alguém aderir por princípio a tudo quanto é nova tendência nos permite considerá-lo um conformista, já o contrário - um outro indivíduo que rejeite tudo o que é novo em nome dum pretenso não conformismo, parece mais típico duma personalidade reaccionária. Concluí - atenção que não estou a dizer que é isto que ele acha, é apenas a minha interpretação do que ele diz - que a única forma segura de não nos posicionarmos num ou noutro lado do espectro e mantermos a nossa independência de espírito e de gosto, será questionarmos cada nova moda antes de determinar se aderimos ou não e, preferencialmente (isto então é supra-sumo), sermos nós a ditar as novas tendências.
Afinal era um ovo de Colombo.

pedro disse...

Mas o que é uma moda? é uma coisa necessariamnete passageira e portanto com pouco valor histórico. Qto a mim, só há 2 posições possíveis: ou a moda se instala sem perceberes e aderes ou não, com mais ou menos atrazo, por questões de identificação com o fenómeno, ou recusas liminarmente e passas para uma atitude que pode ser reactiva ou passiva. Tudo isto é possível numa pessoa para vários tipos de modas ... o resto é patológico ;o)

sonia disse...

A verdade é que são planos diferentes, se agora se voltam a usar as calças dentro das botas e eu sigo a moda, isso não diz grande coisa a meu respeito, mas se não questiono as modas ou as tendencias na política ou nos costumes, por exemplo, é demitir-me de ter uma opinião e de a fazer valer (por esacasso valor que possa ter).
Eu tento não padronizar os meus comportamentos, mas considero que sou, por natureza, alguém que questiona as novas modas, sobretudo quando as pessoas se precipitam atrás delas (isto faz de mim o quê? A pergunta é retórica).

Cristina E. Leal disse...

Quando introduzi o tema da moda era, de facto, no seu sentido mais lato - estético e sociológico - abrangendo a roupa, os adornos pessoais, as tendências culturais, políticas e mesmo científicas ou literárias. Mesmo se fosse só no aspecto da roupa, já haveria bastante a dizer porque desde sempre e, mesmo nas tribos mais remotas, a forma como adornamos o nosso corpo está carregada de significados, alguns óbvios, outros codificados para serem perceptíveis apenas nas suas subtilezas por elementos do mesmo grupo ou da mesma casta.
O questionares as modas faz de ti uma pessoa equilibrada, diria eu, apesar da pergunta ser retórica. lol