quinta-feira, janeiro 03, 2008

The Painting of Modern Life, Hayward Gallery


Woman with Umbrella, Gerhard Richter, 1964, Oil on canvas, 160x95cm

Em 1863 Charles Baudelaire escreveu um ensaio intitulado "The Painter of Modern Life", no qual desafiava os pintores do seu tempo a deixarem os temas da pintura académica e a "agarrarem" as imagens do mundo em mudança, a essência da vida moderna. Cerca de 100 anos depois, diversos artistas - trabalhando em diferentes partes do globo - deixaram a abstracção (que nessa altura já se poderia considerar o novo academismo) para criarem novos tipos de relacionamento com a imagem fotográfica.
A fotografia, até à data usada como auxiliar, passa a ser encarada como objecto autónomo que urgia desmontar e compreender, principalmente no seu papel de instrumento mediático, levantando questões de autoria, originalidade artística e velocidade da imagem. Assim, os artistas em questão não só retrataram o seu mundo como questionaram as suas formas de representação e a maneira como a imagem é usada na construção das memórias (pessoais e colectivas).
A semelhança da tela com a imagem que lhe deu origem, mais do que procurar uma confirmação ou reafirmação, pretende desestabilizar o que nos é familiar e reconhecível, levando-nos a questionar a imagem a outros níveis para além daquele que a originou.
Artistas representados nesta mostra: Andy Warhol, Gerhard Richter, Richard Artschwager, Vija Celmins, Michelangelo Pistoletto, Malcolm Morley, Richard Hamilton, David Hockney, Robert Bechtle, Franz Gertsch, Martin Kippenberger, Luc Tuymans, Marlene Dumas, Peter Doig, Elizabeth Peyton, Liu Xiaodong, Wilhelm Sasnal, Johanna Kandl, Thomas Eggerer, Johannes Kahrs, Judith Eisler, Eberhard Havekost.

5 comentários:

Luísa R. disse...

Quais foram as vossas impressões acerca da exposição?
De que gostaram mais ou de que gostaram menos?

Cristina D'Eça Leal disse...

Gostei de ter sido apresentada a muitas imagens que só conhecia de reproduções, é sempre emocionante ser surpreendida pela dimensão ou pela textura, ou ainda por um pormenor que só se revela ao vivo (como por exemplo "Swingeing London 67" do Richard Hamilton, em que fiquei surpreendida por ver que as algemas que unem o Mick Jagger e o outro eram verdadeiramente de metal). Alguma comoção por ter conhecido a Vija Celmins, o Luc Tuymans, Judith Eisler,Johannes Kahrs,Wilhelm Sasnal, Marlene Dumas (como quando falamos muitas vezes com alguém ao telefone e depois conhecemos a pessoa e ficamos extasiados a refazer a imagem mental que tínhamos feito dela). Gostei da simplificação da organização da mostra, da informação disponível, do espaço, da articulação que foi feita entre os artistas expostos.

pedro disse...

porque escreveste que este post ia ser polémico?
eu teria adorado essa expo (!!!)

Cristina D'Eça Leal disse...

Porque achei que haveria pano para mangas a análise de, por um lado, as motivações de cada artista pela escolha de imagens fotográficas e, por outro, da utilização que fizeram das mesmas.

pedro disse...

eu acho que isso é relativamente consensual entre nós ...